Filhotes adquiridos de fontes ilegais ou baixo padrão de bem-estar animal apresentam maior risco de problemas de saúde no futuro, independentemente dos lares para os quais são levados posteriormente, concluiu um novo estudo.
Embora as preocupações venham crescendo há muitos anos, pesquisadores do RVC afirmam que suas descobertas mais recentes oferecem evidências concretas que esperam ajudar o público a tomar decisões mais informadas no futuro.
A autora principal, Rowena Packer, disse: “Algumas pessoas acreditam que, uma vez que o filhote esteja adaptado a um lar e recebendo amor, suas primeiras semanas de vida deixam de importar. “Nossos achados não sustentam essa ideia e mostram que ser criado e desenvolvido em sistemas de baixo bem-estar traz impactos negativos duradouros na saúde dos cães a longo prazo.
“Um início de vida ruim não pode simplesmente ser desfeito.”
Problemas de saúde
O alerta é baseado na análise de mais de 900 filhotes comprados no Reino Unido em 2020, agora publicada na revista Animal Welfare.
O estudo constatou que filhotes vendidos com menos de seis semanas de idade — abaixo do limite legal de oito semanas no Reino Unido — geralmente apresentaram quase três vezes mais problemas de saúde até os 21 meses de idade do que aqueles vendidos mais velhos.
Filhotes vendidos sem a presença da mãe — outra violação da legislação — e aqueles comprados por tutores de primeira viagem também apresentaram maior risco, geralmente com 0,3 e 0,35 problemas de saúde adicionais, respectivamente.
Venda ilegal
O artigo argumenta que é “evidente que novas intervenções são urgentemente necessárias” para aumentar a conscientização pública sobre fatores que indicam que filhotes estão sendo vendidos ilegalmente.
A Dra. Packer também alertou que futuros tutores que desconhecem ou ignoram essas questões “correm o risco de comprometer” a saúde de seus cães no futuro.
Ela disse:
“Todo comprador de filhote tem o poder de influenciar o futuro do bem-estar dos cães.
“Ao saber o que procurar em um criador e se recusar a apoiar vendedores ilegais, os tutores podem proteger seu próprio cão e inúmeros outros dentro de sistemas de criação com baixo bem-estar, ajudando a acabar com o comércio ilegal de filhotes.”
Melhor educação
O estudo também pede que mais seja feito para educar melhor os tutores antes da aquisição de um filhote, a fim de reduzir o que chamou de “abandono relacionado à incompatibilidade de expectativas”, além de possíveis tratamentos insuficientes ligados a pressões financeiras mais amplas.
Embora mais de 91% do grupo tenha apresentado pelo menos um problema de saúde antes dos 21 meses, apenas 54,6% relataram que seus cães receberam atendimento veterinário para essas condições.
Um total de 64,85% também afirmou que os gastos com tratamento estavam dentro das expectativas antes da aquisição. A proporção dos que disseram ter gastado mais do que o esperado (23,5%) foi mais que o dobro daqueles que gastaram menos (10,47%).
O artigo conclui que a alta proporção de problemas de saúde relatados — independentemente de terem recebido ou não atendimento veterinário — demonstra a necessidade de “expectativas realistas” por parte dos futuros tutores.
Link para o texto original: https://www.vettimes.com/news/vet-nursing/small-animal/puppies-dont-escape-a-low-welfare-start-to-life-study